Amor a Cabo Verde

Te procuro na gruta de tuas montanhas
No canto da mágoa peregrina de amor
No desafio das tuas cumeadas tamanhas
No sorriso e soluços da minha dor.

Oh! Tu estarás sempre dentro de mim
Como uma chama que nunca terá fim
Confesso que o amor autêntico é assim
Como a eternidade que nunca vai ter fim.

Ao olhar para o firmamento vejo teu nome
Escrito nas tuas graníticas entranhas,
Ao olhar para o teu regaço, vejo estrelas
Que cintilam dentro das minhas saudades.

Escrevo teu nome na orla do teu poema,
Em cada grão de areia das tuas praias,
Na cordilheira das tuas serras sinuosas,
E nos altos e baixos de tuas reentrâncias.

Tu és a deusa filha de todos os planetas
Tu és o universo onde cintilam estrelas
Eu, fruto do teu ventre, chamas de amor
Chamas de amor, sempre a arder...

Teu nome está tatuado naquele pronome
Que interrogava um adeus dado outrora
Um adeus que pôs na garganta um travo
A um filho que te emergiu do ventre fulvo.

Nos remansos inacessíveis a humanos tráficos
Te encontro nos teus relevos orográficos,
Nas sinuosas vielas do teu fulvo trilho,
E nas pegadas efémeras de cada filho.

Acho-te nas faces maceradas de saudades
No lento rolar do rosário do meu pranto,
Nas folhas murchas dum Outono extinto,
Nas dores arrancadas duma intensa mágoa,

Na ponta das estalactites de tuas grutas
Na língua ígnea da Lei imensa e suprema
Nos raios atómicos do Sol que inflama
As saudades, essas flores, virginais aromas.


Noruega, 5 de Julho de 2007

Domingos Barbosa da Silva


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