Indiferença

A Renato Cardoso, post mortem

Da janela da colectiva memória
Fervilhando vinte anos de indiferença
Fiz uma leitura nos anais da história
Que a humana mente guarda lembrança.

Morreu! E a terra, mãe comum, o clarão
Dos seus olhos apagou! ... o trilho augusto
Postos na orla dos versos da canção
Que o mundo hoje canta, com lamento.

Sob o silêncio das árvores do derredor
Repousa o segredo e a névoa da dor
E a pirâmide real do seu orgulho.

Coitado - a vida lhe fugiu correndo
C'a sombra cor-de-rosa, vestido de amor
Enquanto à cidade subiu morrendo.


Domingos Barbosa da Silva

29 de Setembro de 2009

V O L T A R