Zanga

A Jomaveiga

José, quem foi que viu Renato morrendo?
Decerto alguém. Minh'alma fica tão agoniada
Por que andam monstros soltos na estrada
E pela estrada destes monstros, não ando.

Fico zangado pela morte crua e rude
E ainda minha tristeza é tão intensa
Que penso que a alegria é uma doença
E a tristeza a minha única saúde!

Tenho diante de mim o Quebra Canela
Onde o assassínio o amor suplanta
E carrego o sofrer daquele diplomata
Em cujo coração o vício não faísca.

Peçamos a CV que desintoxique o aroma
Das paixões torpes do nosso ambiente
Que o teu livro há de apontar eternamente
Um pouco de verdade que ao país soma.

Eu queria correr para, junto de ti, festejar
E para não morrer sufocado sem saber
As cores das vísceras daquele poder
E/ou daquela paixão que o mandou matar.

Domingos Barbosa da Silva

Noruega, 10.08.10

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