Prece duma estátua anónima

Imagino no alto uma brônzea estatueta
De fronte austero, a fitar Quebra Canela
Vinte anos um espaço imaginário ocupando
E uma vontade propositada, sacrificando

Pelos homens ingratos das nossas ilhas,
Com uma postura humana tão soberana
Um rançoso cuspo recebendo às costas
O cuspe bafiento da saliva humana.

Avisto a estatueta dos altos píncaros
E da herdade sombria do altar do poder
Perdido no alto de seus terrenos baixos.

Vivo suplicando uma estátua, lá dos altos,
De mãos em prece, para outros olhos ver,
E que a mão do assassino caia aos pedaços.


Domingos Barbosa da Silva

V o l t a r