Ecos nostálgicos

Abro par em par a porta da noite
Ao convite de madrugadas tantas
Para escutar o som duma ocarina
Que chega encamisada em melodia.

Abro par em par a porta da noite
Numa enorme vontade de ficar só
Dentro de silêncio que percorre rugas
Traçando na cara esboço dum sorriso.

No largo da terra onde me conjugo
À sombra duma noite esbelta e longa
Escorrem memórias de um tempo
E sons da ocarina feita com as mãos.

A noite brinda-me com um sorriso
Fervilhando o sangue nas têmporas
O sangue com que brindo a vida
A vida, com a erosão feita na testa.


Domingos Barbosa da Silva
Noruega, aos 09 Maio de 2005

V o l t a r