Gritos duma estátua

Gritos flácidos saltam do fundo
Duma estátua espiando as estrelas
Que iluminam os vultos, olhando
Em silêncio as nossas tristezas.

Soberana voz, soberano grito
Que sai das mandíbulas inertes
Da estátua que perdeu o tacto
De sentir o reflexo do sol poente.

Divino som que sai duma ocarina
Profana, oca, duma peanha dura
Da ultrafatalidade duma aventura

Gemidos, puro e de cor vermelha
Crepitando em ritmos duma fagulha.
Pulsando como mensagem divina.

Domingos Barbosa da Silva
Novembro de 2005

 

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