BATCHINHA DE NH’ANTONE BATCHA

Ma depôs qu’inglês ba’mbora de Soncente, cumeçá ta bem quês “nhambobe” de Portugal, c’sês mentalidade esclavagista e salazarista. Primer que parceba foi um tal inginher Gomes da Costa, chei de tosse e pope chei de vente, pa bem mandá na prete. Ma o quel esqueceba ê que prete também tem inteligência, quê inteligência ê universal e nada tem a ver qu’instruçon

Na sê estile incunfundível, de boina prete a três pancada, calça ma camisa brónc, de casoque castonhe c’sê distintive de Club Sportive Mindlense, puste na peite, de funde brónc c’aquel liunzim incarnode, escrite C.S.M., ma sempre de pê descolce, não por quel ca podia comprá sapote, ma sim moda num espece dum revolta silenciose. Foi daquês bons desportista que na Soncente, nunca queris ceitá troca daquel Leão do Norte Forte e Afamado de Mindlense (hino de Club Sp.Mindlense fete pa B.Leza), pa quel águia de Sport Lisboa Benfica de Portugal.

Batchinha, jovem daquel geraçon de desportista d’ones 30/50, sempre popode, nem cigorre, nem cóc, nem extravagância, um exemple paquel juventude dum vez que tava siguil e admiral. Moda el, assim foi: - Eduardo Fula, Lela de Raúl, Blada, Tatoche ma Tony de Picarone, Toi de Bedja, Lela de Panan, Tambrinha (Semedo), Teata e más e más otes de sê toada.

Ês li e más otes, foi daquel geraçon de footbulista exemplar de Mindlense dum vez. Ma cma geraçon ta sucedê na tempe e espace, pa ca esquecide dês, pamode exemple quês do’n e dexo’n na nôs terra, nô tem que falá dês, quê foi pamode ês ê que Club Sportive Mindlense, equipe más bedje de Cab Verd (fundode na 1922), cunsigui dá sê bom contribute na tcheu modalidade desportive sem ser sô na football, quê na Pavilhon de Mindlense na Salina, tava praticode ginásteca aplicada (exibiçon em xadrez, argola, plinte, barra etc.,) cricket, golfe, rugby, ténis, boxe e régata de mei de Baía de Porte Grande.

Nôs Batchinha, sê especialidade era sobretude cricket (quel jogue inglês dum esterode de cemente c’um tapete destanciode duns metre, dum ponta na ote, pa dôs posiçon definide pa três sticks e três bills), ondê quel marcá sê nome de bolador de fama. El foi mnine d’escola e grande admirador daquês cricketman dum vez, moda Nhô Fula, Jonas Wahnon, Jon Doia, Damatinha (Old Costa) e otes qu’insenal arte desse jogue, cosa quel procurá imitá, ma sempre ta dá sê best na hora daquel:

- “Play Ball, What’s That Empire?! Well Out or Not Out?!

Basta, era um prazer oiá quonde el Batchinha, Adolfe de Juffe e Ti Tchutche de Noba tava entrá pa esterode de jogue deboxe daquel tchuva de palma. E pa adversar, “inganha tava paris farel”, naquel esterode de Tchã de Cricket lá na Tchã d’Licrim, mode sês boladura bem especial. Tude gente, del ijgador de terra ô estranger, tava tremê sempre diante de sês manera de bolá, quê tude ês era grande panhador de bills, c’aquês boladura chei d’efeite quês tava lançá ijgador na tapete daquel estrode de jogue de cricket.

Quonte campionate local Mindlense ca ganhaba e quonte vitória contra vapor de guerra ma carvoer inglês, que passaba na Baía de Porte Grande de Mindelo na Soncente, Mindlense ca fazeba na época?! Quonte vez nôs herói, hoje esquecide, foi lembrode, puste n’andor e saíde ta festejá quês vitória pa rua de Mindelo, moda tradiçon tava mandá?!

Depôs, bem quel mudança de carvon pa óleo diesel e tcheu cosa mudá. Ma na Shell na época inda assim fecaba alguns inglês, que tava praticá desporte e sobrteude tava ijgá cricket. Assim, nôs Batchinha e más alguns bezana daquel tempe, foi impregode na Shell, o que fazê que cricket inda durá uns one lorgue na terra.

Batchinha, moce bastante cunchide na tchon de Soncente, pa sê simplicidade e amigue de tude gente, grande c’piqnim, era não sô grande atleta cma também un home chei de sês pirraça (humor prope de terra). Sempre suzude, ca tava fazê barulhe, c’sê cara séria, num estile dá c’pedra gatchá c’mon ( proverbe criol ).

Naquês tempe de cabá carvon, carvon ca tem, fecá sempre quel custume de mnine basse levá pai quel balaim de cmida c’aquel bulim de café na traboi, pa pai temaba plumanhã na ponta de Cais de SHELL. Mode tempe ca saíba de póc, quê lantcha d’óleo tava estode sempre lá tracode ta bombá óleo, pa fornecê vapor fundeode na lorgue de nôs Baía de Porte Grande.

Senhor Thompson ma Richards, dôs inglês antigue chefe de Shell, nunca proibi trabaiador de recebê quel balaim nem quel temar de café na ponta de cais. Log que noviora de plumanhá tava dá, tude trabaiador tava pará traboi e tava proveitá de temá sê cafizim c’aquel catchupinha guizode, ove estrelode ô c’aquel cavalinha frite, sem prublema!

Ma depôs qu’inglês ba’mbora de Soncente, cumeçá ta bem quês “nhambobe” de Portugal, c’sês mentalidade esclavagista e salazarista. Primer que parceba foi um tal inginher Gomes da Costa, chei de tosse e pope chei de vente, pa bem mandá na prete. Ma o quel esqueceba ê que prete também tem inteligência, quê inteligência ê universal e nada tem a ver qu’instruçon.

El tchegá chei de manias, log sê primer atitude foi de proibí tude trabaiador de temá quel “CAFÊ” na ponta de cais SHELL, depôs de tonte one sem nunca ninguém ter side chatiode pamode um tal cosa.

Enton, tude quês trabaiador sem cantina naquel área de cais ma sês gente, fecá prope desuriantode e revoltode, quê ês era ubrigode a saí pa rua, diante de matador e na mei de tude quel pove ta bai ta bem, sem sucegue, pas pudesse temá sês café. Basta tude quel pove que tava ta passá pra lá, tava t’otchá quel cosa estronhe e, tava ta fecá espantode e revoltode c’aquel nove lei daquel inginher mandrongue.

Ma, na mei de tude pessoal, tive sô um que fecá na Ponta de Cais de SHELL c’sê balaim, num descontra de gaita ta marimbá naquel proibiçon, pa desgraça de sês cobe-chef Nhô Cobe. Ora, esse valente n’era nem más nem menes que nôs Batchinha de Nh’Antone Batcha. Nhô Cobe, c’um mede de gaita, dzel:

- Ó Batcha, d’ismola moce, oiá chatice ê esse que bô ti ta bem ranja’m?!

Batcha na sê calma de custume dzel:

- Ó Cobe, ca bô boda dexá pa nha conta, Ok?!

Inginher Gomes da Costa tchegá, sempre c’sê ar bajofe, c’pope chei de vente nem um pomba ta roncá, el notá log cma sô Batchinha ê que continuá c’sê balaim ta temá quel cafê na Ponta de Cais.

Log el bai mau de munde parriba de Batcha, el dzel gritode:

- Oiça lá, Senhor Sebastião, então você não sabe ler? Como sabe, desde ontem proibi este tomar de café aqui na ponta do CAIS da SHELL, não?! Batchinha de Nh’Antone Batcha, criol e mnine de Soncente de gema, moda de custume ca desarmá e nas calmas respondel num bom português:

- Desengane-se, Senhor Engenheiro, pois sei bem ler e escrever! E, que eu saiba, o senhor o que proibiu de tomar cá na ponta do cais, foi CAFÉ, não?! Por isso, hoje mudei, porque o que estou a tomar é CHÁ!!!

Pamode quel atitude revindicative pirracente de Batchinha, inginher cabá log c’aquel proibiçon quel hora mesme. Assim, situaçon derriba de cais de Shell, torná vrá normal e tude gente pude cuntinuá, ta recebê sês balaim binde de casa c’aquel bulim de café ma quel catchupinha guisode injeitode ora c’um cavalinha frite ô um uvim estrelode, quonde el tava parcê, ta tmá sês cafizim na descontra lá na PONTA DE CAIS DE SHELL.

Zizim Figuera (José Figueira, Júnior)

V O L T A R


Comentário:

Gostei, como sempre da história, mas a única coisa de que gostei menos é a referência a "bem mandá na prêt" e francamente em geral os mondrongos quando chegavam em Cabo Verde tinham tendência para se adaptarem ao nosso ritmo e não o contrário. E muito da administração era feita por cabo-verdianos...

Jaime Luís             jl@comcast.com


Comentário:

Caro amigo Zizim. Lembro ainda, que na sua totalidade, todas as casas tem. Um balaio e um termo de cafe. Para o chefe, de familia. No seu servico. Com muito, humor bem ao nosso querido Mindelo, Sao Vicente e C.Verde, em geral. Um abraco amigo.

L.Martins                lada66pr@yahoo.com


Comentário:

Oh "Irmao das comunidades" ;mais uma figura legendària do nosso Mindêlo , que tu nos tràs hoje nas tuas estorias."Batchinha de Nhô Anton Batcha" ,era aquele personagem com uma filosofia muito especial ,observadôr com um olhar penetrante ,apreciando as pessoas que passavam na rua de Lisboa ,que de vez enquando as comprimentava,com um gesto simples e amàvel ,sem dizer nada.Na verdade "Batchinha",faz parte daquelas figuras inesqueciveis ,do nosso Mindêlo.Aquele especial abraço,d'Um criol na Frânça !..

Joaquim ALMEIDA              soalmeida@free.fr


Comentário:

Ah grande Batchinha de Nh'Antone Batcha!Aquele abraço e votos de uma excelente semana. Muita saúde e continuação do grande contributo, como um reconhecido menino d’Soncente, para a memória colectiva desta Ilha maravilhosa. Teu primo, Manuel Jesus Silva

Manuel J.Silva               l&s@cvetelcom.cv


Comentário:

Mon cher Zizim, Que estejas recuperando como um bom mnine de Soncente e pronto para a luta.Esta história fez-me lembrar o tempo em que, mnine, ia a Tchã de Cricket ver aqueles bodonas nacionais do cricket e recordo-me de um jogo em que Lela de Raúl deixou escapar uma bola que lhe partiu alguns dentes da frente, tendo caído redondo no chão. Aquele abraço. As

Arsenio de Pina                 arseniopina@hotmail.com


Comentário:

Caro Primo, Como já nos habituaste, acabas de nos oferecer uma admirável recordação de nôs tempe. Este episódio do Batchinha de Nh'Antone Batcha é típicamente de S. Vicente. Malta cheio de espirito e prontos para pirraça, porém, sem maldade, nem ódio. Aquele abraço, muita força e saúde. Gui

Aguinaldo Wahnon              guiwahnon@gmail.com.uk


Comentário:

Oi, Zizim, Grande Batchinha, sim senhor enfrentou com sabedoria a atitude pouco inteligente daquele mandrongue, e isso quando salazarismo se encontrava bem sólido.Cabo-verdianos dessa envergadura, merecem ser lembrados e apresentados como referência à nossa juventude/aos nossos educandos.Precisam interiorizar, através de exemplos, como podem atingir objectivos recorrendo à razão e sem exaltação. Também a forma de estar de Batchinha deve estar bem ligada à sua aprendizagem e formação no DESPORTO. Ma, Zizim,esse café de manhã ta tão bem descrite que dá-me um sôdade desse nôs café de manhã...quel catchupinha seja ma ove estrelode, seja ma pexe frite... Que mánha!

MaguyAlfama Fragoso                 maguyalfama@gmail.com


Comentário:

Zizim, Em conversa telefónica com um amigo em São Vicente, soube que Cabo Verde hoje 1 de Maio de 2011 acordou sem "INTERNET". Por isso não tivemos a tua Storia em tempo e hora.Porém como temos 12 horas de diferença actualmente entre Sidney-Austrália e a nossa terra, conseguimos ainda pela noite, como estvamos todos juntos, de proceder com grande entusiasmo e muito riso esta magnifica Storia do Batchinha, pessoa que bem conheci,realmente um pirracente sizudo natural.Obrigado Zizim de nos ajudar com tuas Storias a passar um bom momento nos fins de semana por cá nessa Diáspora longínqua.Vai um abração do nosso grupo. Terencio

Terencio Lopes                     terenciolopes@yahoo.com.au

V O L T A R